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Artículo · Revista Trivento

O PAPEL DA ENFERMAGEM NA ATENÇÃO SECUNDÁRIA NO RECONHECIMENTO PRECOCE DE SEPSE

Autor(a):ROSIVÂNIA DA SILVA MENDES, BEATRIZ BORGES STECKER, NILTON PALHETA SOUZA JUNIOR, LUCAS GUSTAVO DE RAMOS VEIGA Revisor(a):Morgana Myriam da Silva
Publicado el10/06/2026 Palabras clave:Sepse, Enfermagem reconhecimento precoce, NEWS, SIRS, disfunção orgânica, Assistência hospitalar
A sepse constitui como uma das principais causas de morte hospitalar no mundo, representando um importante problema de saúde pública devido a elevada incidência, complexidade clínicas e altos custos assistenciais. No Brasil, estudos demonstram taxas de mortalidade superiores as observadas em países desenvolvidos, alcançando aproximadamente 55% entre pacientes críticos, evidenciando desafios relacionados ao reconhecimento precoce, disponibilidade de recursos e implementação de protocolos assistenciais. Nesse contexto a enfermagem ocupa posição estratégica na identificação inicial dos sinais clínicos. Objetivou-se analisar o papel da enfermagem no reconhecimento precoce e manejo inicial da sepse em ambiente hospitalar através do uso de escalas como SIRS e escores como o NEWS. Os resultados demonstraram que a utilização sistemática dos protocolos favorece intervenções oportunas , melhora a comunicação multiprofissional e contribui para a redução de complicações associada á sepse.
Lectura

Discussão

A enfermagem ocupa posição estratégica na operacionalização desses instrumentos, uma
vez que realiza monitorização contínua, aferição dos sinais vitais e identificação das primeiras
alterações clínicas. Dessa forma, a utilização sistemática do escore NEWS favorece ativação
precoce de protocolos institucionais, comunicação rápida com equipe multiprofissional e
implementação imediata das medidas terapêuticas. O critério SIRS foi abordado apenas como
ferramenta auxiliar para identificação de sinais inflamatórios, sem utilizá-lo como definidor de
sepse, conforme Sepses-3
Os resultados evidenciam que a adoção de protocolos estruturados na atenção secundária
hospitalar contribui para redução do atraso diagnóstico e melhora dos desfechos clínicos.
Entretanto, a efetividade desses instrumentos depende diretamente da capacitação profissional,
adesão institucional e atualização contínua da equipe assistencial.
Assim, a ação educativa realizada com 19 participantes enfermeiros e técnicos de
enfermagem atuantes na unidade proporcionou um engajamento significativo discussão sobre
identificação precoce da sepse. Durante a atividade, a equipe verbalizou a dificuldade prévia no
reconhecimento com falas expressivas como: “ A gente não sabia que frequência respiratória
alta já era um sinal de alerta pra sepse em paciente com foco infeccioso”, e “Eu achava que
só vasodilatação com hipotensão contava”. Mas do que uma troca, a atividade promoveu a
construção da busca por um conhecimento técnico necessário para a prática clínica, para
preencher as lacunas referidas no questionário anteriormente. O interesse demonstrado pela
equipe na aplicação do escore NEWS reforça que a educação continuada é o caminho
indispensável para transformar a prática assistencial e garantir a segurança do paciente na
unidade. Dos 19 participantes 16 permaneceram durante toda a palestra e participaram
ativamente de todas as discussões e casos propostos.

Introdução

INTRODUÇÃO
A sepse é caracterizada pela disfunção orgânica decorrente da resposta desregulada do
organismo frente a uma infecção, representando uma das principais causas de morbimortalidade
hospitalar no mundo. O reconhecimento precoce e a implementação imediata de intervenções
terapêuticas são determinantes para redução da progressão clínica, complicações e mortalidade
associada (SINGER et al., 2016).
Em âmbito global, o cenário é alarmante. Segundo dados da organização mundial da
saúde (OMS) referentes ao ano de 2025, foram registrados cerca de 49 milhões de casos de
sepse, resultando em 11 milhões de óbitos, o que corresponde a aproximadamente 22,4% de
todas as mortes no planeta ou seja, uma em cada cinco mortes registradas globalmente. (OMS,
2025)
No Brasil, a sepse permanece como importante problema de saúde pública, apresentando
elevadas taxas de mortalidade significativamente superior as observadas em países
desenvolvidos. De acordo com o Ministério da Saúde em 2025, foram diagnosticados 400 mil
casos no país, com 240 mil óbitos, revelando uma letalidade preocupante de 60% dos casos
(MS, 2025). Esse panorama é corroborado pelo monitoramento do Instituto Latino Americano
de Sepse (ILAS), que, em 2025 analisou 178.633 casos em sua rede hospitalar, observando que
13.633 pacientes evoluíram para sepse-3. Estes dados evidenciam lacunas críticas relacionadas
á identificação precoce, á baixa adesão aos protocolos institucionais ou ausência deles e ao
retardo no início do tratamento, fatores que impactam diretamente os desfechos clínicos dos
pacientes (ILAS, 2025)
No contexto da atenção secundária hospitalar, a enfermagem desempenha papel
essencial na identificação dos primeiros sinais de deterioração clínica sugestiva de sepse.
Alteração nos sinais vitais, estado neurológico, perfusão tecidual e parâmetros laboratoriais são
percebidos inicialmente pela equipe de enfermagem devido á monitorização contínua.
Entretanto, a literatura científica, incluindo estudos publicados no Jornal of Nursing and Health
(JONAH), aponta que a falta de reconhecimento precoce ainda representa um desafio
assistencial relevante. Evidências demonstram que, em avaliação de competência clínica
realizada com 47 enfermeiros, até 33,3% dos profissionais apresentam dificuldade no
reconhecimento precoce dos quadros sépticos, e apenas 11,1% identificam corretamente sinais
clínicos críticos, como hipotermia e alterações respiratórias. Isso mostra que, para cuidado seja
realmente eficiente, o olhar clínico precisa ser acompanhado de uma capacitação mais
constante, sendo este um passo fundamental para salvar
vidas e reduzir as taxas de morte por sepse nos país. (JONAH, 2017)
Nesse sentido, o presente estudo teve como objetivo relatar uma experiência de educação
em saúde desenvolvida com profissionais de enfermagem, por meio de palestra educativa e
aplicação de questionário. A proposta é contribuir para o reconhecimento precoce da sepse a
partir da identificação dos sinais de disfunção orgânica, visto que o papel da enfermagem na
vigilância contínua é fundamental para a suspeição precoce e o acionamento imediato do
protocolo da primeira hora, estratégia essencial para a redução da morbimortalidade associada
á sepse.

Conclusões

A sepse permanece entre os maiores desafios hospitalares devido á elevada mortalidade
e a dependência do tempo para desfecho favorável. Nesse contexto, a ação educativa
desenvolvida com quinze profissionais de enfermagem da atenção secundária proporcionou
espaço para discussão sobre sinais e sintomas precoces de sepse e aplicabilidade do escore
NEWS na rotina.
Durante a atividade, observou-se o engajamento dos participantes e o desconhecimento prévio
sobre os critérios de alerta atuais, evidenciado nas verbalizações sobre frequência respiratória e
hipotensão. Esse achado reforça que a metodologia utilizada foi adequada para sensibilização e
atualização da equipe.
Dessa forma, conclui-se que ações de educação permanente são fundamentais para
qualificar a assistência de enfermagem frente á sepse na atenção secundária. A experiencia
demonstrou interesse da equipe em incorporar o escore NEWS na prática, o que pode favorecer
a identificação precoce e a ativação de protocolos institucionais. Recomenda-se a continuidade
de capacitações periódicas e a implementação sistemática do instrumento na rotina da
enfermaria.

Métodos

A ação foi desenvolvida em um hospital de atenção secundária em Brasil Novo, sudoeste
do Estado do Pará, com foco no reconhecimento precoce de sepse pela equipe de enfermagem.
3.1 Público-alvo
Profissionais de enfermagem da atenção secundária, sendo enfermeiros, técnicos e
auxiliares, atuantes nas unidades assistenciais do hospital.
3.2 Etapas da intervenção
3.2.1Aplicação do questionário de reconhecimento precoce da sepse
Questionário estruturado aplicado antes da ação para avaliar o conhecimento dos
profissionais sobre sinais, critérios e condutas relacionadas à sepse.
3.2.2 Ministração da palestra
Apresentação sobre sepse: definição sinais de deterioração clínica, fatores de risco,
protocolos e escores de alerta SIRS e NEWS e intervenção precoce, com ênfase na realidade do
ambiente hospitalar.
3.2.3Discussões com os profissionais
Espaço interativo para troca de experiências, esclarecimento de dúvidas
compartilhamento de casos e reflexão sobre as práticas assistenciais diárias na atenção
secundária.

Agradecimentos

Os autores agradecem á faculdade Serra Dourada pelo apoio institucional e á professora orientadora Rayanne Darla Farias por toda a orientação , suporte e ensinamentos compartilhados durante a condução desta pesquisa e ação. Agradecemos também á equipe Maria José Biancardi, no município de Brasil Novo-Pa, pela abertura e colaboração fundamental para a realização deste estudo, e aos demais colegas e colaboradores que contribuíram para o desenvolvimento deste trabalho.

Resultados

Os achados da literatura demonstram que o reconhecimento precoce da sepse em
ambiente hospitalar constitui fator determinante para redução da mortalidade, tempo de
internação e progressão para disfunção orgânica grave. Na atenção secundária, onde ocorre
monitorização contínua de pacientes internados em enfermarias, observação clínica e setores
hospitalares de média complexidade, instrumentos de triagem clínica apresentam papel
relevante na identificação inicial de sinais sugestivos de sepse.
Para diagnosticar a realidade local, o questionário estruturado foi distribuído a 19
profissionais na unidade, obtendo-se o retorno de 9 formulários respondidos. Os resultados
evidenciaram lacunas importantes: 100% dos participantes relataram nunca ter recebido
treinamento específico sobre o manejo da sepse. Quanto ao conhecimento técnico apenas um
participante definiu corretamente a sepse, enquanto a totalidade da equipe respondente (100%)
desconhecia os protocolos do “pacote de uma hora”. Além disso, a maioria apresentou
dificuldades na identificação de sinais de alerta precoce e critérios de resposta inflamatória, com
apenas dois acertos em cada quesito. Apenas seis profissionais reconheceram a escala NEWS
como ferramenta de rastreio, o que corrobora a necessidade de capacitação sistematizada para
o reconhecimento precoce da sepse na atenção secundária.

Referências

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