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Artigo · Revista Trivento

LESÕES TRAUMÁTICAS EM DENTES DECÍDUOS: CONDUTA INICIAL, IMPACTOS FUNCIONAIS E ESTÉTICOS

Autor(a):Gileade Aleixo da Mota Primo, Beatriz Menezes Tontini, Duanny de Moraes Souza, Sammya Dutra Cardoso, Geilson Viana de Araujo, Giselle da Silva Gois, Quéren-Hapuque de Araújo Silva, Rebeca Viana dos Santos Revisor(a):MATHEUS PRATES SANTOS
Publicado em12/06/2026 Palavras-chave:Traumatismo Dentário, Dentição Decídua, Avulsão Dentária.
As lesões traumáticas em dentes decíduos representam uma condição frequente na prática odontológica, especialmente em crianças na fase pré-escolar, devido à falta de coordenação motora e maior propensão a quedas. Este estudo tem como objetivo analisar, por meio de revisão de literatura, a conduta inicial frente aos traumatismos em dentes decíduos, bem como seus impactos funcionais e estéticos. A metodologia consistiu na busca de artigos científicos nas bases de dados eletrônicas, selecionando estudos relevantes publicados nos últimos anos. Os resultados evidenciam que o atendimento imediato e adequado é fundamental para minimizar complicações, como alterações no desenvolvimento dos dentes permanentes sucessores, comprometimento da mastigação, fonação e estética. Observa-se que a conduta clínica varia de acordo com o tipo e a gravidade da lesão, podendo incluir desde acompanhamento clínico até intervenções mais invasivas. Além disso, o impacto psicológico decorrente das alterações estéticas também deve ser considerado no manejo do paciente. Conclui-se que o diagnóstico precoce e a intervenção correta são essenciais para preservar a saúde bucal e o bem-estar da criança, sendo imprescindível o conhecimento técnico do cirurgião-dentista sobre as diretrizes de atendimento em traumatismos dentários.
Leitura

Introdução

O traumatismo dentário consiste em lesões provocadas por impacto aos
dentes e aos tecidos de suporte, ocorrendo geralmente de forma inesperada e
acidental. Na dentição decídua, essas lesões traumáticas são frequentes na infância,
principalmente em decorrência de quedas no ambiente domiciliar, sendo consideradas
situações de urgência odontológica que frequentemente necessitam de intervenção
imediata. Além dos danos físicos, os traumatismos podem ocasionar dor, perda de
função, alterações estéticas, comprometimento emocional e impactos no
desenvolvimento da oclusão da criança (Yilmaz N. et al., 2021).
A elevada prevalência dos traumatismos dentários em crianças e
adolescentes torna esse agravo um importante problema de saúde bucal,
especialmente nos incisivos centrais superiores, que são os dentes mais acometidos.
Em razão da íntima relação anatômica entre as raízes dos dentes decíduos e os
germes dos dentes permanentes em desenvolvimento, os traumas na dentição
decídua podem provocar repercussões nos sucessores permanentes. A extensão
dessas sequelas varia de acordo com o tipo, localização e gravidade da lesão
traumática inicial (Lenzi et al., 2018; Vieira et al., 2023).
As alterações decorrentes do traumatismo podem comprometer tanto
aspectos funcionais quanto psicológicos da criança, interferindo na mastigação, fala,
estética e socialização. Além disso, lesões traumáticas em dentes decíduos podem
ocasionar distúrbios no desenvolvimento dos dentes permanentes, como alterações
de forma, estrutura e erupção, reforçando a importância do diagnóstico precoce e do
manejo clínico adequado. Nesse contexto, as diretrizes atuais destacam que o
acompanhamento clínico-radiográfico é fundamental para favorecer um prognóstico
satisfatório e minimizar complicações futuras (International Association of Dental
Traumatology, 2020).
Dessa forma, este artigo tem como objetivo discutir os traumatismos em
dentes decíduos, abordando seus impactos funcionais e estéticos na criança, bem
como as possíveis repercussões nos dentes sucessores permanentes, enfatizando a
conduta inicial, o manejo clínico e as formas de tratamento adequadas.

Considerações Finais

Diante do exposto nessa revisão de literatura, pode-se considerar que o
traumatismo dentário na infância, representa um problema frequente, podendo
ocasionar impactos funcionais, estéticos e psicológicos significativos. Dentre os
casos, os mais frequentes são no sexo masculino, variando a idade de 1 a 3 anos.
Pensando nisso, destaca-se a necessidade de medidas preventivas e educativas
voltadas para os pais, cuidadores e profissionais da educação, o que poderá contribuir
na redução de complicações, além de também auxiliar no manejo correto das
situações traumáticas. Assim, o diagnóstico precoce, a realização de exames
complementares e o acompanhamento periódico são essenciais para evitar
complicações futuras e promover melhor qualidade de vida à criança.

Metodologia

A presente revisão de literatura caracteriza-se como um estudo do tipo revisão
narrativa, com o objetivo de analisar a produção científica acerca das lesões
traumáticas em dentes decíduos, com ênfase na conduta inicial e nos impactos
funcionais e estéticos.
A busca bibliográfica foi realizada no período de fevereiro a abril de 2026, nas
bases de dados SciELO (Scientific Electronic Library Online), MEDLINE via PubMed

(Medical Literature Analysis and Retrieval System Online), LILACS (Literatura Latino-
Americana e do Caribe em Ciências da Saúde) e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS),

além de busca complementar no Google Acadêmico.
Foram incluídos artigos científicos disponíveis na íntegra, publicados nos
idiomas português e inglês, indexados nos últimos 10 anos e que abordassem
diretamente a temática proposta. Como critérios de exclusão, foram desconsiderados
artigos duplicados, estudos sem relação com o tema central da pesquisa e
publicações que não atenderam aos critérios de elegibilidade estabelecidos.
A estratégia de busca foi conduzida por meio dos descritores “trauma dentário”,
“dente decíduo” e “avulsão dentária”, previamente selecionados a partir dos
Descritores em Ciências da Saúde (DeCS). Os termos foram combinados entre si por
meio do operador booleano AND, conforme a necessidade de refinamento dos
resultados. Inicialmente, foram identificados 30 estudos potencialmente relevantes.
Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, bem como a leitura dos títulos
e resumos, 11 artigos foram selecionados para leitura na íntegra e composição final
desta revisão.
Além dos artigos científicos selecionados, foi utilizada como referência
complementar a guideline da International Association of Dental Traumatology sobre
lesões dentárias traumáticas, a fim de complementar e atualizar as condutas clínicas
abordadas no presente estudo.

Conclusões

Diante do exposto nessa revisão de literatura, pode-se considerar que o
traumatismo dentário na infância, representa um problema frequente, podendo
ocasionar impactos funcionais, estéticos e psicológicos significativos. Dentre os
casos, os mais frequentes são no sexo masculino, variando a idade de 1 a 3 anos.
Pensando nisso, destaca-se a necessidade de medidas preventivas e educativas
voltadas para os pais, cuidadores e profissionais da educação, o que poderá contribuir
na redução de complicações, além de também auxiliar no manejo correto das
situações traumáticas. Assim, o diagnóstico precoce, a realização de exames
complementares e o acompanhamento periódico são essenciais para evitar
complicações futuras e promover melhor qualidade de vida à criança.

Resultados

3.1 Epidemiologia e etiologia dos traumatismos dentários
O traumatismo dentário (TDI) na dentição decídua apresenta uma prevalência
global estimada em 24,2%, ocorrendo com maior frequência no sexo masculino. A
etiologia dessas lesões varia conforme o estágio de desenvolvimento: em crianças até
os 4 anos, as quedas predominam devido à maturação das capacidades psicomotoras

e ao contato com mobiliário doméstico; já entre os 5 e 19 anos, as causas associam-
se majoritariamente a atividades desportivas e recreativas. Embora a região oral

represente apenas 1% do corpo, o TDI é uma emergência clínica que exige
intervenção imediata para prevenir danos aos tecidos de suporte e aos germes dos
sucessores permanentes. (ANDRADE et al., 2021)
O traumatismo pode ser definido como uma lesão de maior extensão e
gravidade, que pode ocorrer tanto de forma intencional quanto acidental, sendo esta
última a mais frequente. No contexto odontológico, pode envolver diferentes estruturas
do órgão dentário, como esmalte, dentina, polpa, ligamento periodontal e tecido ósseo,
podendo resultar em diversos distúrbios. Sua ocorrência é comum na primeira
infância, período em que a criança se encontra em fase de desenvolvimento motor,
iniciando a deambulação. Nessa etapa, fatores como a imaturidade da coordenação
motora e a curiosidade contribuem para a maior incidência de acidentes. Esses
episódios ocorrem predominantemente em ambientes domiciliares e escolares, sendo
este último frequentemente relatado na literatura (GUEDES et al., 2016 apud
SANTOS, 2024).
O trauma dentoalveolar refere-se a lesões que acometem tanto os tecidos
duros quanto os tecidos de suporte dos dentes, geralmente decorrentes de quedas ou
impactos diretos na região bucal. Essas lesões apresentam diferentes graus de
severidade, variando desde fraturas restritas ao esmalte até situações mais
complexas, como a avulsão dentária, caracterizada pelo deslocamento completo do
dente de seu alvéolo. Além das manifestações clínicas imediatas, esses traumas
podem comprometer funções como mastigação e fala, bem como a estética,

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repercutindo de forma significativa no bem-estar social do indivíduo (JETRO et al.,
2013 apud SANTOS, 2024).
Observou-se que os traumatismos dentoalveolares correspondem a
aproximadamente 5% dos atendimentos em saúde, sendo mais frequentes em
crianças entre 1 e 3 anos, principalmente em decorrência de quedas. Nessa faixa
etária, verificou-se predominância de lesões do tipo luxação, frequentemente
envolvendo múltiplos dentes e tecidos moles adjacentes. Constatou-se que a
proximidade anatômica entre dentes decíduos e germes dos permanentes está
associada ao risco de alterações no desenvolvimento da dentição permanente,
incluindo malformações, distúrbios de erupção e impactações dentárias (VIANA et al.,
2019).
Os dados indicam que cerca de 50% das crianças em idade escolar já
sofreram traumatismos dentários, com impactos estéticos, funcionais e psicossociais.
Entre as lesões observadas, destacam-se luxações e avulsões, sendo as luxações
mais prevalentes (GONÇALVES et al., 2017).
Por fim, destaca-se que fatores como imaturidade motora e desenvolvimento
de reflexos em crianças pré-escolares contribuem para a ocorrência de traumas. Os
incisivos centrais superiores são os dentes mais acometidos, e as sequelas podem
gerar impactos negativos na estética, função mastigatória e no bem-estar psicológico
da criança (GONÇALVES et al., 2017).
Os traumatismos dentários apresentam maior prevalência em crianças na
faixa etária de 1 a 3 anos de idade, devido à imaturidade motora, resultando em
quedas e pequenos acidentes. Entre os traumas dentários em crianças nessa faixa
etária, as luxações (lesões em que há deslocamento do dente dentro do próprio
alvéolo) têm maior incidência, pois o osso é mais esponjoso e maleável, o que
favorece a absorção do impacto. Em crianças acima de 3 anos, os ossos da mandíbula
e da maxila apresentam maior dureza e resistência, sendo mais comuns os traumas

com fratura da coroa e avulsão dentária. Quanto aos dentes mais afetados, observa-
se maior prevalência nos incisivos superiores. Na dentição permanente de crianças e

adultos, o tipo de trauma mais comum é a fratura da coroa dentária (Vieira et al., 2023).

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3.2 Sequelas e complicações dos traumatismos na dentição decídua
Um dos riscos mais relevantes que o traumatismo na dentição decídua
acarreta são os danos ao germe do dente permanente, cujas sequelas podem ser
monitoradas precocemente via exames radiográficos. No entanto, diversas
complicações a longo prazo — como defeitos hipoplásicos, dilacerações radiculares e
distúrbios no desenvolvimento do esmalte — manifestam-se clinicamente apenas
meses ou anos após o trauma, coincidindo com a erupção do sucessor permanente.
(YILMAZ et al., 2021).
Estudos controlados indicam que o traumatismo na dentição decídua é um
fator de risco determinante para o desenvolvimento de sequelas nos sucessores
permanentes, apresentando uma probabilidade de ocorrência cinco vezes superior em
relação a dentes não traumatizados. A gravidade das sequelas está fortemente
associada ao tipo de injúria e à idade no momento do evento, com destaque para a
intrusão e traumas ocorridos precocemente, por volta de um ano de idade. Entre as
manifestações clínicas mais prevalentes, figuram a descoloração e a hipoplasia do
esmalte, reforçando a imprescindibilidade do monitoramento radiográfico contínuo
para o diagnóstico precoce de distúrbios morfológicos e eruptivos. (LENZI et al.,2018)
A dentição decídua pode apresentar diferentes tipos de sequelas; as mais
frequentemente descritas na literatura, em decorrência de traumatismo dentário, são:
alteração de cor da coroa, retração gengival, obliteração do canal radicular, necrose
pulpar, infecções (agudas e crônicas), reabsorção patológica, anquilose e perda
prematura. A alta prevalência de perda prematura pode ser explicada pelo grande
número de avulsões e pelo fato de que diversas sequelas podem resultar na perda do
dente decíduo. Na maioria das vezes, os pais recorrem ao profissional apenas quando
o dente traumatizado já se encontra totalmente comprometido pelas sequelas, o que
torna impossível sua manutenção no arco dentário (Campos et al., 2016).
É importante destacar que o descuido em relação ao tratamento odontológico
pode acarretar impactos psicológicos, como dificuldades de convívio social, baixa
autoestima na criança e problemas em relacionamentos futuros, principalmente em
decorrência da ausência de elementos dentários (Nascimento et al., 2018).

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3.3 Diagnóstico e acompanhamento radiográfico
No atendimento inicial de traumatismos em dentes decíduos, recomenda-se a
realização de exame radiográfico, podendo ser utilizada a técnica oclusal ou periapical
modificada. Em casos de intrusão, indica-se também a radiografia lateral modificada,
com o objetivo de contribuir para o diagnóstico da lesão traumática e identificação de
possíveis sequelas decorrentes de traumas anteriores. Além disso, o exame
radiográfico inicial fornece parâmetros importantes para o planejamento do
acompanhamento clínico, considerando fatores como a gravidade e o tipo de trauma,
bem como a idade da criança e o estágio de desenvolvimento radicular dos dentes
decíduos e permanentes (WANDERLEY et al., 2014).
Evidenciou-se que, na dentição decídua, a conduta predominante é a não
realização de reimplante (KREMER et al., 2017). Além disso, foi identificada a
necessidade de acompanhamento clínico e radiográfico prolongado, devido à
ocorrência de complicações tardias, como alterações de cor, mobilidade, reabsorções,
necrose pulpar e perda dentária (VIANA et al., 2019).
3.4 Manejo clínico e condutas terapêuticas
A abordagem do paciente pediátrico em situações de traumatismo dentário
pode representar um desafio clínico significativo. Frequentemente, os responsáveis
chegam apreensivos, e a criança pode estar vivenciando seu primeiro contato com o
cirurgião--dentista ou já apresentar experiências prévias negativas. Nessas
circunstâncias, nem sempre é possível realizar um condicionamento psicológico
adequado, especialmente quando há necessidade de intervenções imediatas e mais
invasivas. Soma-se a isso a complexidade do atendimento de bebês, que exige do
profissional a habilidade técnica, experiência clínica e manejo comportamental
apropriado (WANDERLEY et al., 2014).
O sucesso do tratamento está diretamente relacionado às condutas imediatas
após o trauma. Entretanto, ainda há falhas nos primeiros atendimentos, muitas vezes
decorrentes da falta de conhecimento sobre os procedimentos adequados (VIANA et
al., 2019). Em casos de avulsão de dentes decíduos, a maioria dos profissionais opta
por não realizar reimplante, ao contrário do que ocorre na dentição permanente.

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Nos casos de avulsão dentária, destaca-se ausência do elemento no alvéolo,
presença de coágulo e, em alguns casos, lesões em tecidos moles. Observou-se que
o prognóstico está diretamente relacionado às condutas imediatas após o trauma, bem
como ao meio de armazenamento do dente, sendo leite, soro fisiológico e saliva os
mais indicados para manutenção da viabilidade celular (KREMER et al., 2017).
Conforme as diretrizes para o tratamento de lesões dentárias, as fraturas
coronárias são definidas como fraturas que envolvem apenas o esmalte, com perda
de estrutura, e fraturas que acometem o esmalte e a dentina. Na fratura que envolve
apenas o esmalte, quando clinicamente se observa somente a perda de estrutura, a
conduta indicada é a reposição do fragmento, caso este esteja disponível.
Dependendo da localização e da extensão da lesão, pode-se também indicar
a restauração com resina composta e o alisamento das bordas, com finalidade
reconstrutiva. Em fraturas que envolvem esmalte e dentina, a literatura descreve como
condutas possíveis a reposição do fragmento, quando íntegro e reidratado em soro
fisiológico, ou a restauração da área, com proteção da dentina exposta utilizando
ionômero de vidro, adesivo e resina composta (Vieira et al., 2023).
3.5 Prevenção e educação em saúde
A melhor forma de prevenir as sequelas do traumatismo dentário é a
divulgação de informações, por meio da capacitação de educadores e cuidadores no
ambiente escolar e da implementação de programas preventivos que enfatizem a
importância do atendimento imediato e o manejo correto do dente traumatizado
(Nascimento et al., 2018).
A ampla divulgação nos meios de comunicação e nas redes sociais, bem
como dos conhecimentos acerca dos traumas dentários, suas possíveis sequelas e
das orientações sobre como agir nessas situações, é essencial para ampliar o
conhecimento da população em geral. Destaca-se, ainda, a necessidade de que se
saiba como proceder e a quem recorrer, garantindo atendimento rápido e condução
adequada do caso (Nascimento et al., 2018).

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