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Artículo · Revista Trivento

Estrategias de autorregulación para el manejo de la ansiedad en estudiantes de psicología desde la perspectiva de la terapia cognitivo-conductual.

Autor(a):Julia da Costa Farias dos Santos, Deyse Sales Oliveira Revisor(a):Morgana Myriam da Silva
Publicado el29/05/2026 Palabras clave:Terapia cognitivo-conductual, ansiedad de desempeño, autorregulación emocional, estudiantes de pregrado de Psicología, prácticas clínicas.
La transición a la práctica clínica genera ansiedad e inseguridad en los estudiantes de psicología de pregrado, activando pensamientos disfuncionales de autoexigencia de un desempeño perfecto. Este estudio explora la efectividad de una intervención basada en la Terapia Cognitivo-Conductual (TCC) y la aplicación del Protocolo de Investigación de Creencias Centrales (PICC-TCC) para el manejo de estas demandas emocionales. Mediante un enfoque cualitativo-cuantitativo de métodos mixtos con estudiantes de séptimo y octavo semestre en Altamira-PA, se evalúa la divergencia entre la seguridad cuantitativa inicial y las vulnerabilidades cualitativas expresadas en la clínica docente. La investigación resalta la importancia de las herramientas estructuradas de autorregulación para identificar pensamientos automáticos de impotencia e incompetencia, ofreciendo apoyo técnico preciso para que los estudiantes organicen sus respuestas fisiológicas en el período posterior a la atención. El espacio de apoyo colectivo y el protocolo desarrollado demuestran ser instrumentos valiosos para el apoyo formativo, con el potencial de humanizar la identidad profesional y mejorar la calidad de la atención brindada a la comunidad.
Lectura

Discussão

DO FORMULÁRIO À RODA: VALIDANDO INSEGURANÇAS
Além disso, o recorte expõe uma contradição interessante observada entre os dados quantitativos do formulário e as vivências compartilhadas na roda de conversa. Na sondagem inicial, quando questionados em uma escala de 1 a 5 sobre o nível de segurança para realizar a primeira escuta clínica, a maioria dos graduandos relatou estar na média ou acima dela: registrando-se 18 respostas no nível 3, 6 respostas no nível 4 e 2 respostas no nível 5, enquanto apenas 2 assinalaram o nível 2. No entanto, esse panorama de aparente confiança divergiu dos relatos verbais de insegurança que surgiram durante a atividade prática.
Sob o olhar da Terapia Cognitivo-Comportamental, essa divergência pode ser compreendida pelo impacto do ambiente de acolhimento. Enquanto o formulário evoca uma postura defensiva de autoexigência, a troca coletiva na roda de conversa funcionou como um espaço seguro de validação. Essa divergência entre as respostas escritas e a realidade subjetiva ecoa os achados de Freitas (2008), ao constatar que a autopercepção de segurança técnica do estagiário frequentemente não condiz com a realidade do manejo clínico. Os dados de sua pesquisa demonstram que graduandos focados em demonstrar rendimento acadêmico tendem a falhar na percepção do vínculo, sendo avaliados de forma desfavorável pelos pacientes nos quesitos acolhimento e empatia. Ao perceberem que os pares compartilhavam das mesmas dúvidas, os estudantes sentiram-se autorizados a desarmar estratégias de enfrentamento rígidas, externalizando seus pensamentos automáticos reais de desamparo e a sensação de estarem "perdidos" diante da clínica-escola.
Esse relato evidencia como a comparação social e a autocrítica excessiva podem contribuir para o aumento da ansiedade entre estudantes de Psicologia, favorecendo pensamentos automáticos disfuncionais relacionados à incapacidade e ao medo de falhar. Nesse sentido, o espaço de acolhimento proporcionado pela roda de conversa mostrou-se relevante ao possibilitar a normalização dessas inseguranças e a compreensão de que o desenvolvimento da postura clínica ocorre de maneira gradual, por meio da experiência, supervisão e construção contínua do conhecimento profissional. Nesse contexto, as técnicas de autorregulação apresentadas foram recebidas de maneira positiva pelos participantes. Estratégias como exercícios respiratórios, reconhecimento de sinais fisiológicos da ansiedade e identificação de pensamentos automáticos foram apontadas pelos estudantes como ferramentas úteis para auxiliar no manejo da ansiedade frente aos atendimentos clínicos.
A eficácia desse modelo de intervenção encontra suporte em Silva e Godinho (2024), que defendem a urgência de construir espaços formativos e acolhedores, livres de caráter punitivo, nos quais os estagiários possam expor suas inseguranças de modo a edificar um repertório clínico mais seguro e funcional. Além disso, observou-se que a proposta favoreceu um espaço coletivo de acolhimento, troca de experiências e fortalecimento emocional entre os discentes, contribuindo para uma percepção mais humanizada do processo de formação em Psicologia.

Resultados

TEORIA VS. A COBRANÇA PELO “PERFEITO”
O diagnóstico inicial, realizado por meio do formulário de inscrição, mostrou as principais dificuldades enfrentadas pelos estudantes da prática clínica, destacando-se as categorias: “Não conseguir identificar o problema(diagnóstico/conceitualização)” e “Esquecer a teoria”. Essas dificuldades emergem de uma crença rígida de que ao ingressar nos estágios práticos, se faz necessário saber de tudo. Essa cobrança não permite ao graduando a percepção de que o conhecimento prático é construído gradualmente a partir da vivência profissional.
Durante a roda de conversa, foram discutidos aspectos relacionados à ansiedade de performance no contexto clínico, buscando validar os sentimentos apresentados pelos participantes e favorecer um espaço de acolhimento e reflexão coletiva. Observou-se que muitos estudantes relataram não se sentirem preparados para atuar na clínica, evidenciando preocupações excessivas com o próprio desempenho e receio de falhar durante os atendimentos. Tais relatos reforçam a compreensão da Terapia Cognitivo-Comportamental acerca da influência dos pensamentos automáticos disfuncionais sobre as emoções e comportamentos do indivíduo (Beck, 2013).
Posteriormente, foram introduzidos conceitos da TCC com ênfase em como as interpretações negativas sobre si mesmo, como a necessidade autoimposta de desempenhar um atendimento “perfeito”, elevam os níveis de ansiedade e bloqueiam o estabelecimento de uma escuta clínica genuína e humanizada. Nesse momento, foi apresentado e entregue aos participantes o Protocolo de Investigação de Crença Central (PICC-TCC) desenvolvido pelas autoras (Apêndice B). Explicou-se o funcionamento estrutural da ferramenta, que se divide em três etapas: a validação e permissão ética para interromper momentaneamente a sessão caso o terapeuta perca sua presença clínica devido à ansiedade; o manejo por meio de estratégias de autorregulação fisiológica; e, por fim, o plano autoavaliativo composto por 10 perguntas baseadas na Técnica da Seta Descendente, desenhado para rastrear os medos de performance até atingir a crença central de incapacidade profissional.

A RODA DE CONVERSA E A ANSIEDADE CLÍNICA
Ao longo da atividade, os estudantes demonstraram participação ativa e envolvimento com a proposta, interagindo por meio de perguntas, relatos pessoais e reflexões sobre suas vivências acadêmicas. Os participantes destacaram que o conteúdo abordado surgiu em um momento relevante da formação, especialmente diante da aproximação com os estágios clínicos e das inseguranças relacionadas ao exercício profissional. De modo geral, observou-se receptividade positiva em relação ao projeto, indicando que a intervenção favoreceu a reflexão acerca das próprias dificuldades emocionais e contribuiu para a construção de estratégias mais adaptativas frente à ansiedade de performance.
Durante as atividades, também foi discutida a diferença entre os acolhimentos realizados em estágios iniciais e a prática clínica continuada, percebida pelos discentes como um processo mais complexo e emocionalmente exigente. No decorrer dos relatos, uma das participantes compartilhou sentir-se insegura ao comparar seu desempenho ao dos colegas, relatando que percebia os demais estudantes como mais preparados, enquanto ela sentia que “não sabia de nada” e que estava “perdida” diante da aproximação com a clínica-escola. Contudo, a participante destacou que a intervenção possibilitou compreender que não é necessário chegar à prática clínica dominando todas as habilidades profissionais, reconhecendo que o processo de aprendizagem também ocorre durante a vivência clínica e faz parte da formação acadêmica. A insegurança relatada pelos graduandos pode estar relacionada à dificuldade de reconhecer pensamentos automáticos e crenças disfuncionais como interpretações subjetivas da realidade, uma vez que muitos indivíduos tendem a compreender tais cognições como verdades absolutas (LEAHY, 2011).
A necessidade de intervenções voltadas à autorregulação também se justificou pelo relato de um participante que, apesar de não manifestar entraves ou dificuldades técnicas aparentes durante a execução da escuta, relatou sentir-se intensamente fragilizado e necessitado de suporte após o fechamento da sessão. Esse dado qualitativo acende um alerta importante sobre a temporalidade da ansiedade de performance no estagiário. Sob o olhar da Terapia Cognitivo-Comportamental, durante o atendimento o discente mobiliza uma quantidade massiva de energia cognitiva para manter esquemas de enfrentamento e uma postura de controle técnico. No entanto, ao encerrar a sessão e desarmar o papel de terapeuta, essas defesas diminuem, abrindo espaço para a ativação tardia de pensamentos automáticos de desamparo e incompetência frente à carga emocional que foi absorvida. É precisamente nessa lacuna que a aplicação do Protocolo de Investigação de Crença Central (PICC-TCC) demonstra sua utilidade preventiva. Mais do que uma ferramenta de manejo emergencial para o momento do atendimento, o plano autoavaliativo contido no protocolo funciona como uma estrutura de ancoragem para o pós-sessão, permitindo que o estudante organize suas respostas fisiológicas e rastreie seus medos de performance de maneira sistemática antes mesmo de chegar à supervisão formal.

Agradecimentos

Agradecemos ao professor e orientador Glauber Rocha, cuja condução ética, partilha de conhecimento e suporte técnico foram fundamentais para o direcionamento deste trabalho e para a nossa consolidação acadêmica. Sua orientação precisa e acolhedora nos inspirou a construir uma prática clínica mais humana e comprometida.
Agradecemos, de igual modo, aos acadêmicos de Psicologia da Faculdade Serra Dourada que aceitaram participar deste projeto. A presença ativa, os relatos pessoais e as opiniões compartilhadas com coragem e autenticidade durante a roda de conversa não apenas viabilizaram a realização desta pesquisa, mas também transformaram o espaço em um ambiente legítimo de validação coletiva e fortalecimento emocional mútuo.

Introdução

A formação em Psicologia envolve o desenvolvimento de conhecimentos teóricos e habilidades práticas fundamentais para a atuação profissional. Durante a graduação, os estudantes entram em contato com diferentes abordagens teóricas, modelos de intervenção e discussões sobre o papel do psicólogo na sociedade. No entanto, a transição entre o aprendizado em sala de aula e os primeiros contatos com a prática clínica pode gerar desafios significativos, especialmente no que se refere à segurança profissional e ao manejo das próprias emoções diante do atendimento psicológico, evidenciando dificuldades na articulação entre teoria e prática na formação do psicólogo (Braga, Daltro e Danon, 2012).
Nesse contexto, é comum que estudantes em fase mais avançada da graduação experimentem sentimentos de insegurança e ansiedade frente à possibilidade de conduzir sessões clínicas. A expectativa de corresponder às demandas do setting terapêutico, aliada à preocupação com o desempenho profissional, pode levar o graduando a direcionar excessiva atenção à própria atuação, dificultando o estabelecimento de uma escuta clínica mais atenta e acolhedora. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) apresenta contribuições importantes nesse processo, uma vez que propõe a identificação e a reestruturação de pensamentos automáticos disfuncionais, bem como o desenvolvimento de estratégias de autorregulação emocional. Nesse sentido, compreender os processos cognitivos envolvidos na ansiedade pode auxiliar o estudante a reconhecer padrões de pensamento que interferem em sua atuação profissional e na condução do atendimento clínico, uma vez que a TCC compreende que emoções e comportamentos estão diretamente relacionados à forma como os indivíduos interpretam as situações vivenciadas (Beck, 2013).
Diante disso, torna-se relevante criar espaços de reflexão e acolhimento que possibilitem ao estudante reconhecer suas inseguranças e desenvolver estratégias para lidar com elas de forma mais adaptativa. Como apontam Asbahr, Martins e Mazzolini (2014), a formação em Psicologia precisa favorecer experiências que articulem conhecimento teórico, prática profissional e reflexão crítica sobre o processo formativo. Assim, o presente projeto tem como objetivo primordial propiciar aos estudantes de Psicologia a identificação de seus pensamentos automáticos e respostas fisiológicas atreladas à ansiedade, promovendo a autoavaliação a partir do viés da Terapia Cognitivo-Comportamental, visando reduzir a ansiedade profissional com a utilização de técnicas de autorregulação.
Dessa forma, identificar e acolher as inseguranças dos discentes através de uma roda de conversa, promover a autoavaliação cognitiva com o uso de um protocolo de identificação e utilizar técnicas de autorregulação emocional visando capacitar os discentes, tornam-se objetivos específicos fundamentais para o fortalecimento da formação profissional em Psicologia. Ao considerar que a insegurança frente ao atendimento pode impactar diretamente a qualidade da escuta clínica e o estabelecimento do vínculo terapêutico, iniciativas que promovam espaços de reflexão e desenvolvimento de habilidades emocionais mostram-se relevantes no contexto da formação acadêmica, contribuindo para uma atuação futura mais segura, ética e consciente.
Nessa perspectiva, a relevância desse projeto se inicia no estudante de Psicologia que desenvolve uma ansiedade de performance, caracterizada por um estado de preocupação excessiva com o próprio desempenho, acompanhado de respostas cognitivas, emocionais e fisiológicas. A sala de aula traz a teoria e nem sempre há o devido treino de habilidades interpessoais, uma vez que a formação ainda se concentra predominantemente na transmissão de conteúdos teóricos, com menor ênfase em práticas vivenciais e no desenvolvimento de competências relacionais, o que gera uma ansiedade em relação ao atendimento, fazendo com que a preocupação com o próprio desempenho se sobreponha à escuta do paciente, impedindo o vínculo clínico. Segundo Braga, Daltro e Danon (2012), a formação do psicólogo brasileiro ainda apresenta impasses na articulação entre teoria e prática, evidenciando fragilidades na preparação profissional e desafios na consolidação da identidade clínica.
Diante desse cenário, torna-se necessário refletir sobre estratégias que auxiliem o estudante a lidar com essas inseguranças durante o processo de formação. Nesse sentido, a própria formação do psicólogo deve ser compreendida considerando os desafios atuais que atravessam a prática profissional. Conforme discutem Asbahr, Martins e Mazzolini (2014), a formação em Psicologia exige constante problematização acerca do papel social do psicólogo e das demandas concretas impostas pelos diferentes contextos de atuação, não podendo se restringir à mera transmissão de conteúdos teóricos. As autoras defendem uma formação crítica, que articule conhecimento científico, postura ética e compromisso social, favorecendo experiências que permitam ao estudante integrar teoria e prática de maneira reflexiva. Quando essa articulação não ocorre de forma consistente, podem emergir inseguranças e dificuldades na consolidação da identidade profissional, especialmente nos primeiros contatos com a prática clínica.
Entende-se que a habilidade da escuta clínica não é inata, mas sim um comportamento que precisa ser treinado e lapidado. Ao oferecer um ambiente seguro e confortável para compartilhar experiências e inseguranças, espera-se não apenas auxiliar no amadurecimento técnico do graduando, mas também humanizar o processo terapêutico. Consequentemente, ao cuidarmos do discente, estamos garantindo que a futura assistência prestada à comunidade seja mais ética, segura e eficaz.

Métodos

Este projeto caracteriza-se como uma pesquisa quali-quantitativa, endossando a importância da abordagem mista na fundamentação de trabalhos científicos e na consolidação da formação acadêmica (Machado, 2023), cujo produto final é o protocolo de identificação que será apresentado por meio da roda de conversa com alunos do 7° e 8º períodos do curso de Psicologia da Faculdade Serra Dourada. O trabalho objetiva ainda ensinar, por meio da Terapia Cognitivo-Comportamental, estratégias para amenizar os efeitos da ansiedade frente aos atendimentos clínicos.
O projeto inicia-se com uma entrevista semiestruturada com o corpo docente e um questionário de sondagem com os discentes para fins de diagnóstico, visando identificar as dificuldades que os discentes enfrentam no momento da escuta e possíveis demandas. Este questionário será aplicado via Google Forms (Apêndice A) e servirá também como ficha de inscrição, com limite indefinido de vagas para garantir que o acesso seja a todos os estudantes alcançados.
Todas as etapas serão conduzidas em conformidade com a ética da Psicologia, garantindo o sigilo das informações e o consentimento livre e esclarecido dos envolvidos. A intervenção não se limita a um único encontro, consistindo em três momentos: no primeiro encontro, será realizada entrevista com docentes; no segundo encontro, será disponibilizado o link para que os discentes se inscrevam na roda de conversa; e no terceiro encontro, ocorrerá a realização da roda de conversa e a entrega do protocolo. A eficácia do projeto será avaliada ao final do encontro por meio de feedbacks dos discentes.
O momento da roda de conversa será mediado pelas discentes autoras do projeto, que atuarão como facilitadoras, organizando a dinâmica em três eixos principais:
1. Acolhimento e validação de sentimentos;
2. Identificação de pensamentos automáticos disfuncionais do terapeuta;
3. Apresentação de ferramentas práticas de autorregulação, incluindo a aplicação do protocolo.
Para o manejo, serão utilizadas perguntas norteadoras como: 'Qual o pior cenário que pode acontecer durante a sessão?'; 'Quando vocês fecham os olhos e se imaginam na cadeira do terapeuta, qual é a primeira sensação física que surge?'; ou 'Como vocês acham que o paciente se sentiria se percebesse que o terapeuta dele também é humano e fica nervoso?'. Tais questionamentos funcionam como um “Questionamento Socrático”, favorecendo a percepção de padrões disfuncionais e a consequente reestruturação cognitiva.

Conclusões

O presente trabalho possibilitou compreender que as inseguranças relacionadas à prática clínica atravessam de forma significativa o processo de formação em Psicologia, especialmente nos momentos iniciais de contato com os atendimentos. Ao longo da intervenção, observou-se que muitos estudantes relacionam a ansiedade à necessidade de apresentar um desempenho técnico perfeito, dificultando uma escuta clínica mais espontânea, acolhedora e humanizada. Nesse contexto, a utilização dos fundamentos da Terapia Cognitivo-Comportamental mostrou-se relevante ao favorecer processos de autoavaliação cognitiva e autorregulação emocional, auxiliando os discentes na identificação de crenças disfuncionais relacionadas ao medo de errar, à autocrítica excessiva e à necessidade de desempenho perfeito. Além disso, o PICC-TCC revelou-se uma ferramenta potencialmente significativa para o manejo da ansiedade de performance, ao possibilitar que o estudante identificasse suas interpretações automáticas até alcançar conteúdos centrais relacionados à percepção de competência profissional.
Outro aspecto importante observado foi a discrepância entre a autopercepção inicial de segurança relatada no formulário e os conteúdos emocionais verbalizados durante a intervenção, demonstrando como contextos coletivos de acolhimento podem favorecer maior autenticidade emocional e flexibilização de posturas defensivas. Tal dado reforça a importância de práticas formativas que ultrapassem a transmissão técnica de conhecimento e contemplem também os aspectos subjetivos envolvidos na construção da identidade profissional do psicólogo. Dessa forma, conclui-se que iniciativas voltadas ao cuidado emocional do graduando possuem impacto não apenas na redução da ansiedade frente aos primeiros atendimentos, mas também na qualidade da futura assistência psicológica oferecida à comunidade.
Ao reconhecer que o terapeuta também é atravessado por inseguranças, limitações e processos de aprendizagem, torna-se possível construir uma prática clínica mais humana, ética, sensível e genuinamente comprometida com o vínculo terapêutico. Assim, espera-se que este trabalho contribua para ampliar as discussões acerca da saúde emocional de estudantes de Psicologia e incentive a criação de espaços formativos mais acolhedores, reflexivos e compatíveis com as demandas reais da prática clínica contemporânea.

Referências

BRAGA, Ana Aparecida N. M.; RAMOS DALTRO, Mônica; FERREIRA DANON, Carlos Alberto. A ESCUTA CLÍNICA: UM INSTRUMENTO DE INTERVENÇÃO DO PSICÓLOGO EM DIFERENTES CONTEXTOS. Revista Psicologia, Diversidade e Saúde, Salvador, Brasil, v. 1, n. 1, 2012. DOI: 10.17267/2317-3394rpds.v1i1.44. Disponível em: https://www5.bahiana.edu.br/index.php/psicologia/article/view/44. Acesso em: 21 fev. 2026. ASBAHR, Flávia da Silva Ferreira; MARTINS, Edna; MAZZOLINI, Beatriz Pinheiro Machado. Psicologia, formação de psicólogos e a escola: desafios contemporâneos. Psicologia Escolar e Educacional, São Paulo, v. 18, n. 1, p. 163-171, 2014. Beck, J. S. (2013). Terapia Cognitivo-Comportamental: teoria e prática. Porto Alegre: Artmed. SILVA, Julia Vilela; GODHO, Nicole Carla Lucas. Ansiedade em estagiários de psicologia: reflexões a partir da análise do comportamento. In: MOSTRA DE ESTÁGIOS DO CURSO DE PSICOLOGIA DO UNIVAG, 4., 2024, Várzea Grande. Anais [...]. Várzea Grande: UNIVAG, 2024. p. 114-116. FREITAS, Fernanda Andrade de. Diferentes perspectivas diante da conduta do estagiário em Psicologia no contexto clínico. Psicologia: Teoria e Prática, São Paulo, v. 10, n. 2, p. 31-43, 2008. Disponível em: . Acesso em: 18 mai. 2026. LEAHY, Robert L. Livre de ansiedade. Porto Alegre: Artmed, 2011. MACHADO, José Ronaldo de Freitas. Metodologias de pesquisa: um diálogo quantitativo, qualitativo e quanti-qualitativo. Revista Devir Educação, Lavras, vol. 7, n. 1, e-697, 2023