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Article · Revista Trivento

Educação em saúde masculina: prevenção do câncer de pênis.

Author:rayane regina veras da silva
Published on23/08/2026 Keywords:Câncer de pênis; prevenção; educação em saúde; homem.
O câncer de pênis, embora de baixa incidência, representa um importante problema de saúde pública no Brasil, especialmente na Região Norte. A falta de informação e a negligência com a higiene íntima masculina estão entre os principais fatores que contribuem para o atraso no diagnóstico e aumento da morbimortalidade. Este estudo teve como objetivo promover uma ação educativa com trabalhadores de um frigorífico no município de Brasil Novo (PA), com foco na orientação sobre fatores de risco, sinais e sintomas e autocuidado para prevenção do câncer de pênis. Trata-se de um estudo descritivo-exploratório, configurado como relato de experiência, realizado com 45 trabalhadores que responderam a um questionário socioepidemiológico e participaram de uma palestra dialogada. Os resultados revelaram lacunas significativas de informação sobre a doença a partir do documento, higiene íntima inadequada e baixa percepção de risco, além de hábitos como uso irregular de preservativo e tabagismo. A intervenção possibilitou ampliar o entendimento dos participantes, reduzindo tabus e fortalecendo práticas preventivas. Conclui-se que ações de educação em saúde são fundamentais para a promoção do autocuidado, identificação precoce de lesões e redução da incidência do câncer de pênis na população masculina jovem.
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Introdução/Contexto

O câncer de pênis, embora não apresente uma incidência extremamente elevada, acometendo 1,3 a cada 100 mil habitantes, possui impactos devastadores que merecem atenção imediata. A agressividade da doença é comprovada pelos dados do Sistema Único de Saúde (SUS), que registrou 7.790 amputações do órgão genital decorrentes de câncer entre 2007 e 2022, o que corresponde a uma média de cerca de 486 procedimentos por ano (BRASIL, 2024).

No Brasil, dados do DataSUS (2025) revelam que, no período de 2020 até 15 de novembro de 2025, foram diagnosticados 497 casos de câncer de pênis na Região Norte do país, dos quais 214 ocorreram especificamente no Pará, representando 43,06% dos diagnósticos registrados na região durante esse período.

O desenvolvimento do carcinoma peniano está fortemente associado a fatores como a presença do prepúcio, idade superior a 60 anos, má higiene pessoal, tabagismo, histórico de infecções sexualmente transmissíveis (IST), em especial pelo papilomavírus humano (HPV), e o baixo nível socioeconômico (BRASIL, 2024, Nota Técnica N° 5/2024). O enfrentamento da doença é complexo devido à baixa adesão masculina aos serviços de saúde e à persistência de comportamentos de risco (LEITÃO, 2024).

Essa condição é agravada por fatores de ordem sociocultural e econômica, os quais impõem dificuldades no acesso à informação e às medidas preventivas nas esferas mais vulneráveis da população. Os principais fatores etiológicos, como a má higienização genital e a infecção pelo HPV (WIND et al., 2019), dependem de conhecimento para serem prevenidos.

A resistência do homem em discutir a saúde sexual resulta em um retardamento diagnóstico, elevando a morbimortalidade. O Ministério da Saúde (2024) e a literatura especializada (CHIN et al., s.d.) concordam que o repasse adequado desse conhecimento possibilita o diagnóstico precoce, reduz a incidência e a severidade dos casos.

Neste cenário, a atuação direta no ambiente de trabalho configura-se como uma resposta estratégica para abordar este público. A literatura é unânime em apontar que a educação em saúde é o instrumento mais eficaz para a prevenção, pois é capaz de proporcionar autonomia na tomada de decisões e disseminar informações sobre os principais fatores de risco (RAPÔSO et al., 2024, p. 10). Muitos trabalhadores enfrentam dificuldades logísticas para comparecer a atividades preventivas ou buscar auxílio fora de sua jornada.

A realização de intervenções em locais com predominância masculina, como o frigorífico de Brasil Novo – Pará, onde a rotina intensa pode dificultar o autocuidado, garante o alcance de um grande número de indivíduos expostos a fatores de risco. Portanto, a falta de visibilidade e o desconhecimento da doença por parte do público masculino reforçam a urgência de práticas de educação em saúde contínuas por parte dos profissionais (SOUZA, 2024).

Justifica-se, assim, a implementação de estratégias educativas voltadas para a promoção do autocuidado, esclarecimento sobre os fatores etiológicos e o incentivo à detecção precoce. Conforme Souza (2024), intervenções bem estruturadas no próprio ambiente de trabalho podem favorecer mudanças de comportamento e fortalecer a prevenção primária.

Por isso, o presente trabalho tem como objetivo promover a educação sobre o câncer de pênis, seus fatores de risco e formas de prevenção, contribuindo para a redução do estigma e para o fortalecimento do autocuidado. Essa ação educativa foi realizada com os trabalhadores do frigorífico no município de Brasil Novo – Pará.

Objetivos

Promover a educação sobre o câncer de pênis, seus fatores de risco e formas de prevenção, contribuindo para a redução do estigma e para o fortalecimento do autocuidado.

Procedimentos/Implementação

Este estudo trata-se de um relato de experiência com abordagem quantitativa e descritiva, desenvolvido em uma empresa privada do setor frigorífico localizada no município de Brasil Novo, Pará. A ação de educação em saúde foi realizada em novembro de 2025 e teve como foco a promoção da saúde e prevenção do câncer de pênis, direcionada aos trabalhadores do sexo masculino.

A coleta de dados ocorreu em duas etapas inter-relacionadas. Inicialmente, foi aplicado um questionário físico, anônimo, de caráter quantitativo, contendo questões para levantamento do conhecimento prévio sobre etiologia, fatores de risco, sinais e sintomas do câncer de pênis. As informações obtidas permitiram a caracterização do perfil socioepidemiológico dos participantes e tiveram finalidade exclusivamente acadêmica.

A intervenção educativa foi realizada por meio de uma palestra dialogada. Os temas abordados incluíram a etiologia da doença, fatores de risco (como infecção pelo HPV, presença de fimose e higiene inadequada), a importância do diagnóstico precoce e as medidas preventivas. Para facilitar a compreensão visual e dinamizar o momento, a equipe utilizou recursos ilustrativos representando as diferenças entre um pênis saudável, um pênis acometido por câncer e um pênis que sofreu amputação. Na palestra, foi dada ênfase especial à importância da boa higiene íntima como medida preventiva.

Os dados coletados em formato físico foram codificados e transcritos para o Google Forms. O processamento e análise dos dados quantitativos foram realizados no Google Planilhas, utilizando estatística descritiva, com cálculo de frequência absoluta (n) e frequência relativa (%). Os resultados foram apresentados em tabelas e gráficos para facilitar a visualização do perfil da amostra e do nível de conhecimento dos participantes sobre o tema.

Resultados/Indicadores

Lições Aprendidas

Conclusões/Recomendações

Referências