Ir para o conteúdo
Artículo · Revista Trivento

Análisis de la evidencia de validez de la Escala de Depresión de Baptista (EBADEP): Versión para niños y adolescentes, versión para adultos y versión para personas mayores.

Autor(a):Júlia da Costa Farias dos Santos, Shumaya Sabrina de Souza Lima, Deyse Sales Oliveira, Aline Galvão de Oliveira, Wemerson Oliveira Flor de Lima, Laís Silva dos Santos Revisor(a):Morgana Myriam da Silva
Publicado el29/05/2026 Palabras clave:Depresión, EBADEP, validez psicométrica, diagnóstico precoz, calidad de vida.
Este artículo explora la efectividad de la Escala de Depresión de Baptista (EBADEP) en el diagnóstico y seguimiento de los síntomas depresivos en diferentes grupos de edad, incluyendo niños, adolescentes, adultos y ancianos. Mediante un análisis psicométrico, el estudio evalúa la validez y confiabilidad del instrumento, destacando la importancia de su correcta aplicación para identificar los síntomas depresivos de manera estandarizada. La investigación también considera las adaptaciones necesarias para reflejar las particularidades de cada grupo de edad, ofreciendo una herramienta útil para los profesionales de la psicología en el desarrollo de estrategias de intervención y tratamiento, promoviendo un diagnóstico precoz y preciso de la depresión. La escala EBADEP demuestra así ser un valioso instrumento de apoyo clínico, con el potencial de mejorar la calidad de vida de los pacientes a lo largo del tiempo.
Lectura

Referências

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013. P. 155. Disponível em: https://www.institutopebioetica.com.br/documentos/manual-diagnostico-e-estatisticodetranstornos-mentais-dsm-5.pdf Acesso em: 25, out, 2024. Dalgalarrondo, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais – 2.ed. Porto Alegre: Artmed, 2008, p. 344. Acesso em: 25, out, 2024 BECK, A. T.; ALFORD, B. A. Depressão: causas e tratamento. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016, p. 21. Disponível em: https://books.google.com/books/about/Depress%C3%A3o.html?hl=ptBR&id=cTY9DQAAQ BAJ Acesso em: 12, out, 2024. Baptista, M. N. (2011). Manual técnico da Escala Baptista de depressão em adultos (EBADEP-A). Relatório técnico. Programa de pós graduação strictu sensu em psicologia, Universidade São Francisco, Itatiba, https://doi.org/10.1590/S141382712011000200004 BECK, A. T.; ALFORD, B. A. Depressão: causas e tratamento. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016, p. 14. Disponível em: https://books.google.com/books/about/Depress%C3%A3o.html?hl=pt- BR&id=cTY9DQAAQBAJ Acesso em: 01, nov, 2024. Noronha, A. P. P., & Alchieri, J. C. (2004). Reflexões sobre a avaliação psicológica no Brasil. Psicologia: Reflexão e Crítica, 17(3), 447-456. Disponível em: https://www.scielo.br/j/prc/a/B3Z6k5LPLbHZvKtdfv9JmVw/ Pasquali, L. (1999). Princípios de elaboração de escalas psicológicas. Revista Psicologia: Teoria e Pesquisa, 15(3), 371-388. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ptp/a/FLh47ny3M3FzKb4x7Bj3gCt/ Conselho Federal de Psicologia. (2003). Resolução CFP nº 007/2003. Disponível em: https://site.cfp.org.br/legislacao/resolucao-cfp-n%c2%ba-0072003/ Baptista, M. N., Hauck Filho, N., & Grendene, F. (2018). Análise via TRI da Escala Baptista de Depressão Infanto-Juvenil e do Inventário de Depressão Infantil. Psico, 49(), 339347. Disponível em: http://dx.doi.org/10.15448/1980-8623.2018.4.2686623 Baptista, M. N. (2011). Escala Baptista de Depressão – Versão Infanto-Juvenil (EBADEP-IJ). (Manual não- publicado). Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Psicologia, Universidade São Francisco, Itatiba. São Paulo. Brasil. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pusf/a/krvFHC3cw8qZxfTctGtnfHg/?format=html Mendéz, F. X., Olivares, J., & Ros, M. C. (2005). Características clínicas e tratamento da depressão na infância e adolescência. In V. E. Caballo & M. Á. Simón (Orgs.). Manual de psicologia clínica infantil e do adolescente: Transtornos específicos (pp. 139-185). Santos, SP: Santos. Nunes Baptista, M., & da Silva Cremasco, G. (2013). Propriedades psicométricas da escala baptistade depressão infanto-juvenil (EBADEP-IJ)123Arquivos Brasileiros de Psicologia, 65(2), 198-2134. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Disponível em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=2290289260045 Baptista, M. N., Hauck Filho, N., & Cardoso, C. (2016). Depressão e bem-estar subjetivo em crianças e adolescentes: teste de modelos teóricos1. Psico, 47(4), 259-267. Disponível em: http://dx.doi.org/10.15448/1980-8623.2016.4.230122 BAPTISTA, Makilim; CARDOSO, Hugo; GOMES, Juliana. Escala Baptista de Depressão (Versão Adulto): EBADEP-A: validade convergente e estabilidade temporal. 3. ed. Bragança Paulista: Psico-USF, 2012. 407-416 p. v. 17. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pusf/a/whp4jxWDpyzBVkQmJZVjgxr/ SOUZA, Mayara; BAPTISTA, Makilim; ALVES, Gisele. Estudos psicométricos preliminares da Escala Baptista de Depressão para Adultos. Campinas: Estudos de Psicologia, 2015. Disponível em: https://www.scielo.br/j/estpsi/a/dttfw8MBjMjxszPbthmGrJB/?format=html BAPTISTA, Makilim; GOMES, Juliana. Escala Baptista de Depressão (Versão Adulto) - EBADEP-A: evidências de validade de construto e de critérios. São Francisco: Psico-USF, 2015. Disponível https://www.scielo.br/j/pusf/a/krvFHC3cw8qZxfTctGtnfHg/?format=html BAPTISTA, Makilim Nunes; CARDOSO, Hugo Ferrari; GOMES, Juliana Oliveira. Escala Baptista de Depressão (Versão Adulto)-EBADEP-A: validade convergente e estabilidade temporal. Psico-USF, v. 17, p. 407-416, 2012. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pusf/a/whp4jxWDpyzBVkQmJZVjgxr/ TEIXEIRA NETO, Walmir; TENÓRIO, Ana Clara de Lima; BARROS, Andressa Lima de; ARAÚJO, Fhelip Zenóbio Pessoa; TEIXEIRA, Gabriela Peres da Fonsêca; MATEUS, Júlia Maria Carvalho; BARBOSA, Letícia Alves; SILVA, Maria Mônica Claudino da; FIGUEIREDO, Matheus Vieira Cabral; OLIVEIRA, Yasmin Fausto de. O manejo da depressão em pacientes idosos: uma revisão de literatura. Revista Brasileira de Fisioterapia, ano de publicação, volume, número, páginas. Disponível em: https://revistaft.com.br/o-manejodadepressao-em-pacientes-idosos-uma-revisao-de-literatura/ . Acesso em: 1 nov. 2024. COUTINHO, Francis Lessnau; HAMDAN, Amer Cavalheiro; BAPTISTA, Makilim Nunes. Escala Baptista de Depressão para Idosos–EBADEP-ID: evidências de validade. Perspectivas en Psicología: Revista de Psicología y Ciencias Afines, v. 13, n. 2, p. 1-9, 2016. Disponível em: https://scholar.google.com.br/scholar?hl=pt-BR&as_sdt=0%2C5&q=Escala+Baptista+de+Depressão+para+Idosos++EBADEPID%3A+evidências+de+validade&btnG=#d=gs_qabs&t=1730503869345&u=%23 p%3Daow kD03QH1wJ BARBOSA, Fabiana de Oliveira; MACEDO, Paula Costa Mosca; SILVEIRA, Rosa Maria Carvalho da. Depressão e o Suicídio. Revista da Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar, Belo Horizonte, v. 14, n. 1, p. 233–243, 2011. DOI: 10.57167/Rev-SBPH.14.401. Disponível em: https://revistasbph.emnuvens.com.br/revista/article/view/401. Acesso em: 18 nov. 2024. ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Depressão. Disponível em: . Acesso em: 18 nov. 2024. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Depressão é uma das principais causas de suicídio. Disponível em: . Acesso em: 18 nov. 2024. BEZERRA, P. A.; NUNES, J. W.; MOURA, L. B. Envelhecimento e isolamento social: uma revisão integrativa. Acta Paul Enferm. 2021; 34:eAPE02661. Disponível em: . Acesso em: 18 nov. 2024. BARROS, M. B. A.; MEDINA, L. P. B.; LIMA, M. G.; AZEVEDO, R. C. S.; SOUSA, N. F. S.; MALTA, D. C. Associação entre comportamentos de saúde e depressão: resultados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019. Revista Brasileira de Epidemiologia, v. 24, supl. 2, 2021. Disponível em: . Acesso em: 18 nov. 2024. - Hofmann, S. G. et al. (2010). The efficacy of cognitive behavioral therapy for depression. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 78(2), 155-165. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC3584580/ - Beck, A. T. (1996). Manual da Escala de Depressão de Beck. Disponível em: https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677- 04712018000300008#:~:text=As%20escalas%20de%20depress%C3%A3o%20de,%2C%20& %20Murphy%2C%202009). COLLARES, C. F.; GREC, W. L. P.; MACHADO, J. L. M. Psicometria na garantia de qualidade da educação médica: conceitos e aplicações. Science in Health, São Paulo, v. 3, n. 1, p. 33-49, jan.-abr. 2012. Disponível em: https://arquivos.cruzeirodosuleducacional.edu.br/principal/new/revista_scienceinhealth/07_jan _abr_2012/science_03_01_33_49.pdf CUNHA, Cristiane Martins; DE ALMEIDA NETO, Omar Pereira; STACKFLETH, Renata Stackfleth. Principais métodos de avaliação psicométrica da confiabilidade de instrumentos de medida. Revista de Atenção à Saúde, v. 14, n. 49, p. 98-103, 2016. Disponível em: https://doi.org/10.13037/ras.vol14n49.3671

Agradecimentos

Agradecemos ao orientador Alexsandro Prates Freitas pelo suporte, dedicação e contribuições durante o desenvolvimento deste artigo.
Sua orientação foi fundamental para a construção e aprimoramento deste trabalho sobre a ESCALA BAPTISTA DE DEPRESSÃO (EBADEP).

Introdução

A Depressão é uma doença que impacta diretamente em muitos aspectos da vida de pessoas, incluindo o emocional, o físico, o social e o profissional. De acordo com o DSM-V (Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais, 5º edição), existem 8 tipos diferentes de depressão, que incluem transtorno disruptivo da desregulação do humor, transtorno depressivo maior (incluindo episódio depressivo maior), transtorno depressivo persistente (distimia), transtorno disfórico pré-menstrual, transtorno depressivo induzido por substância/medicamento, transtorno depressivo devido a outra condição médica, outro transtorno depressivo especificado, e transtorno depressivo não especificado (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2013, p. 155). E no livro Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais, Dalgalarrondo (2008, p. 344) explora a depressão como um considerável impacto na saúde física e mental, e na qualidade de vida das pessoas acometidas.
Essa Doença possui muitas particularidades que acarretam sofrimento e prejuízos, apresentando características e sintomas específicos. Beck e Alford (2016, p.21) descrevem por sinais e sintomas essenciais e universalmente aceitos, o humor deprimido, o pessimismo, a autocrítica, e a agitação ou retardo psicomotor. Além disso, são notáveis a perda do interesse em atividades antes prazerosas, chamada de anedonia, e mudanças nos padrões de sono e apetite.
Existem muitos Instrumentos de Avaliação Psicológica que contribuem para a identificação e o diagnóstico da Doença, e, entre eles, temos a Escala Baptista de Depressão (EBADEP), que é um instrumento útil para avaliar a intensidade da Depressão (Baptista, 2011). Em concordância com o SATEPSI (Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos), existem quatro versões da escala EBADEP, que são: EBADEP-IJ (versão infantojuvenil), EBADEP-A (versão adulto), EBADEP-ID (versão idoso), e EBADEP-Saúde (versão hospitalar e ambulatorial). Das quatro versões, apenas a versão EBADEP-Saúde não será o foco desta pesquisa.
Ainda, de acordo com o SATEPSI, a EBADEP é uma escala que tem como autor Makilim Nunes Baptista, com publicação na Vetor Editora. Sua versão infantojuvenil tem como público alvo crianças e adolescentes, tendo como amostra de normatização pessoas de 7 a 18 anos. Sua aplicação pode ser feita individual ou coletivamente, com correção não informatizada e validade até 22/09/2037; A versão adulto tem como público-alvo pessoas de 17 a 81 anos, tendo como amostra do estudo de normatização pessoas entre 34 e 44 anos. Sua aplicação pode ser feita de forma individual ou coletiva, com correção não informatizada, estando válida até 18/11/2031; já a versão idoso, tem como público-alvo e amostra de normatização pessoas a partir de 60 anos, com aplicação também individual ou coletiva e correção não informatizada, tendo como prazo de validade o dia 22/09/2037.
Entretanto, de acordo com a Vetor Editora, a escala EBADEP é um instrumento autoaplicativo, que contém 45 itens com 26 descritores de sintomatologia depressiva, onde o paciente responde aos itens de acordo com a frequência ou intensidade de seus sintomas. Os sintomas são agrupados em sete categorias: Humor, vegetativos, motores, sociais, cognitivos, ansiedade e irritabilidade. No entanto, é essencial que a aplicação desta escala ocorra em ambientes adequados e tranquilos, nos quais o paciente se sinta à vontade para refletir sobre os sintomas sem interrupções ou desconforto.
Este instrumento pode ser utilizado em diversas áreas de atuação do psicólogo: na psicologia clínica, da saúde e/ou hospitalar, neuropsicologia, psicologia forense, do trabalho e das organizações, do esporte, social, comunitária e do trânsito. Todavia, essa pesquisa se concentra na área clínica.
O Objetivo geral dessa pesquisa pretende analisar as evidências de validade disponíveis sobre a escala Baptista de Depressão, visando observar os resultados da escala em crianças, adolescentes, adultos e idosos. A mesma apresenta como objetivos específicos os descritos a seguir, que serão precisamente detalhados ao decorrer deste artigo: Investigar o nível de confiabilidade da escala; analisar como a escala pode ser aplicada em diferentes faixas etárias e identificar a eficiência da escala em distinguir os níveis de depressão.

Métodos

Com base nos pressupostos metodológicos da pesquisa, buscamos levantar informações acerca desta Escala tão importante para o campo da psicologia. A pesquisa bibliográfica compreende dados passados, ou seja, registros de estudos realizados e publicados anteriormente, que serviram como base para esta pesquisa, que teve por objetivo avaliar a qualidade técnicocientífico da escala (EBADEP) como instrumento psicológico para o uso profissional de psicólogas (os).
Esse artigo destaca a importância de aprofundar a análise das evidências de validade da Escala Baptista de Depressão (EBADEP) em suas diferentes versões, buscando compreender a sua eficácia nos diferentes grupos etários. Dessa forma, ampliando o conhecimento sobre a sua confiabilidade, o que ajuda os profissionais da área no diagnóstico e no planejamento das intervenções, promovendo qualidade de vida e efetividade aos pacientes.
Contudo, a literatura acadêmica apresenta uma vasta quantidade de estudos e produções científicas a respeito da Escala Baptista de Depressão (EBADEP), abordando diferentes aspectos, como validação psicométrica e aplicabilidade em diferentes grupos populacionais. Os esclarecimentos encontrados nesses estudos foram riquíssimos para a construção das referências deste artigo.
Sendo assim, ao examinar as plataformas Google acadêmico, SATEPSI, Scielo e Pepsic, exploramos a busca pelas seguintes palavras-chave: depressão infantojuvenil, EBADEP-IJ, depressão em crianças e adolescentes, causas e sintomas da depressão, EBADEP evidências de validade, avaliação psicológica, e depressão em idosos. Com base nessas palavras-chave buscadas nas plataformas citadas, além de estudos feitos através dos livros “Paulo Dalgalarrondo – Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos mentais”, “DSM-V” e “Depressão: Causas e Tratamentos”, dos autores Aaron T. Beck e Brad A. Alford, tivemos embasamentos teóricos que contribuíram muito para a finalidade da pesquisa.

Resultados

2.1 Avaliação psicológica
A Avaliação Psicológica é um processo técnico e científico que envolve a coleta de informações sobre características psicológicas, comportamentais, emocionais e cognitivas de uma pessoa, com o objetivo de compreender, descrever, diagnosticar ou intervir em questões relacionadas ao seu funcionamento psíquico. Esse processo é realizado por meio de métodos e técnicas diversas, como entrevistas, observações, e aplicação de testes psicológicos.
De acordo com Noronha e Alchieri (2004), a avaliação psicológica “consiste em um processo técnico e ético que busca, por meio de procedimentos sistemáticos, acessar informações sobre características psicológicas e comportamentais do indivíduo em contextos específicos”. Ela é fundamental para auxiliar tomadas de decisão em contextos como o clínico, educacional, organizacional e jurídico.
No Brasil, a avaliação psicológica é regulamentada pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP), que estabelece diretrizes éticas e técnicas para sua prática. Entre os objetivos desse processo estão o diagnóstico de transtornos mentais, e o planejamento de intervenções terapêuticas.
O uso de testes ou escalas psicológicas é uma das ferramentas centrais na avaliação. Esses instrumentos devem ser cientificamente validados e aprovados pelo Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos (SATEPSI). Como aponta Pasquali (1999), “o rigor técnico na construção e aplicação de instrumentos psicológicos é indispensável para garantir a fidedignidade e validade dos resultados obtidos”.
Diferente dos testes psicológicos, que têm um caráter mais abrangente ao avaliar traços psicológicos e habilidades, por exemplo, as escalas psicológicas são instrumentos utilizados para medir a intensidade, a frequência ou a gravidade dos estados ou comportamentos específicos, como a depressão, geralmente por meio de escores baseados em questionários simples. Enquanto as escalas são mais descritivas e de fácil aplicação, os testes requerem maior formação especializada para interpretação, sendo utilizados em avaliações mais aprofundadas.
No entanto, avaliação psicométrica, segundo Cunha, almeida Neto e Stackfleth (2016), é a abordagem científica que visa mensurar e avaliar os construtos subjetivos por meio de escalas, testes e questionários padronizados, denominados “medida psicométrica”, os quais representam uma situação experimental que avaliam um determinado construto. É uma complexa área do conhecimento que objetiva desenvolver e aplicar técnicas de mensuração dos fenômenos psíquicos.
Essa avaliação é fundamentada em princípios da Psicometria, que busca garantir que os instrumentos utilizados sejam válidos, confiáveis e padronizados. Segundo Collares, Grec e Machado (2012), a avaliação psicométrica visa identificar características psicológicas de maneira mensurável e objetiva, utilizando instrumentos padronizados que atendem critérios de validade, fidedignidade e normatização.
Todavia, a avaliação psicológica, de forma geral, vai além da simples aplicação de testes; trata-se de um processo integrativo que considera múltiplos fatores individuais e contextuais, sempre respeitando os princípios éticos e científicos da prática profissional.

2.2 O Transtorno depressivo (depressão)
A depressão é uma condição mental que afeta milhões de brasileiros e tem sérios impactos na vida pessoal, social e profissional dos indivíduos, e que segundo Beck e Alford (2016, p.14), atinge cerca de 10 a 25% das mulheres, e de 12 a 15% dos homens. De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), a depressão é definida com a presença de pelo menos cinco dos seguintes sintomas, ocorrendo durante um período mínimo de duas semanas: tristeza profunda, perda de interesse ou prazer em atividades diárias, alterações no apetite e sono, fadiga, sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva, dificuldade de concentração, pensamentos de morte ou suicídio. Esses sintomas devem causar um impacto significativo no funcionamento diário do indivíduo (APA, 2013).
Também pode estar presente, em formas graves de depressão, sintomas psicóticos (delírios e/ou alucinações), marcante alteração psicomotora (geralmente lentificação ou estupor), assim como fenômenos biológicos (neuronais ou neuroendócrinos) associados (Dalgalarrondo, 2019, p. 613). A depressão pode levar ao isolamento social, pois as pessoas afetadas muitas vezes se sentem incompreendidas e evitam interações sociais. Esse isolamento pode agravar ainda mais os sintomas depressivos, criando um ciclo vicioso que é difícil de quebrar sem intervenção adequada. (Bezerra, Nunes, Moura, 2021). Segundo a Organização Pan-Americana Da Saúde (OPAS), a depressão pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares, diabetes e outras condições crônicas. O estresse e a ansiedade associados à depressão podem levar a comportamentos prejudiciais à saúde, como o uso excessivo de álcool e drogas, alimentação inadequada e falta de atividade física (Barros et al, 2019)
Portanto, o diagnóstico precoce da depressão é fundamental para evitar a progressão do transtorno e os impactos negativos a longo prazo na vida do paciente. A identificação permite a implementação de intervenções mais eficazes, prevenindo complicações como o suicídio, que é uma das principais consequências da depressão não tratada (Barbosa, Macedo, Silveira, 2011). A depressão é uma das principais causas de morte por suicídio no Brasil, com mais de 800 mil óbitos todos os anos, segundo dados da OMS, e que muitos desses casos poderiam ser evitados com um diagnóstico e tratamento precoces.
2.3 Escala Baptista de Depressão (EBADEP)
A análise da literatura sobre a Escala Baptista de Depressão (EBADEP) revelou que essa ferramenta é amplamente utilizada no Brasil para avaliar a presença e a gravidade de sintomas depressivos, oferecendo uma abordagem culturalmente adaptada e confiável para o contexto brasileiro. Segundo Baptista (2012), “a EBADEP é uma escala desenvolvida para atender às necessidades de avaliação psicológica no Brasil, com forte embasamento psicométrico”. Essa afirmação destaca a importância de instrumentos adaptados ao contexto cultural para garantir avaliações mais precisas e relevantes.
A escala EBADEP é considerada uma ferramenta robusta, pois “possui validade de construto e alta confiabilidade, sendo eficaz na detecção de sintomas depressivos” (Baptista & Cardoso, 2012). Diversos estudos têm demonstrado sua eficácia na identificação de indivíduos com sintomas depressivos e no monitoramento de intervenções psicológicas e farmacológicas.
Além disso, pesquisas sugerem que a escala EBADEP apresenta correlações significativas com outras escalas de depressão amplamente utilizadas, como o BDI, reforçando sua validade convergente (Baptista et al., 2014). Esses resultados consolidam a escala EBADEP como um instrumento indispensável na prática clínica brasileira.
Dada a sua relevância, a escala EBADEP também é amplamente aplicada em pesquisas científicas, permitindo uma melhor compreensão das condições psicológicas no Brasil. Assim, sua utilização é fundamental para diagnósticos mais precisos e intervenções mais eficazes no cenário nacional.

Discussão

2.4 Evidências de validade da Escala Baptista de Depressão (EBADEP) em crianças e adolescentes
A depressão é um transtorno mental capaz de atingir várias faixas etárias e vem ganhando atenção devido ao seu impacto significativo no desenvolvimento. No público infanto-juvenil os sintomas de depressão são similares aos de adultos, como por exemplo, tristeza persistente, falta de interesse em atividades antes prazerosas, alterações no sono e no apetite, mas podem se manifestar de maneira diferente devido às etapas de desenvolvimento (Mendéz, Olivares, & Ros, 2005).
Portanto, a existência de ferramentas de Avaliação Psicológica que contribuam para o diagnóstico de depressão em crianças e adolescentes são vitais para identificar os sinais da doença precocemente, permitindo intervenções e um tratamento eficaz e um melhor prognóstico para os jovens afetados (Baptista, Filho, Grandene, 2018).
Com base nisso, a Escala Baptista de Depressão Infanto-Juvenil (EBADEP-IJ) é uma ferramenta a qual tem a finalidade de examinar sintomas depressivos em crianças e adolescentes entre 8 e 18 anos (Baptista & Cremasco, 2013). A escala é composta por itens que permitem uma avaliação tanto quantitativa quanto qualitativa, oferecendo aos profissionais da psicologia informações valiosas para o rastreamento e o acompanhamento dos sintomas desse transtorno, investigando os tipos de itens pontuados para obter um entendimento mais profundo, da qual as pontuações mais baixas neste instrumento indicam uma menor presença de sintomas depressivos na pessoa avaliada (Baptista, Filho, Grandene, 2018).
Baptista & Cremasco (2013) fizeram uma pesquisa significativa para verificar a validade da escala EBADEP-IJ, buscando evidências de validade baseadas na relação com variáveis externas. Neste estudo, participaram 241 alunos de escolas públicas do interior do Estado de São Paulo, com idades entre 8 e 17 anos. Os instrumentos utilizados para a coleta de dados incluíram a própria escala EBADEP-IJ, o Inventário de Percepção do Suporte Familiar (IPSF), a Escala de Percepção do Suporte Social (EPSUS) e o Inventário de Depressão Infantil (CDI) como medida auxiliar.
Os resultados indicaram uma correlação moderada a alta entre as pontuações da escala EBADEP-IJ/CDI e o IPSF, sugerindo que quanto maior o suporte familiar percebido, menores são os índices de depressão. Por outro lado, foi encontrada uma correlação baixa a moderada e negativa entre a escala EBADEP-IJ/CDI e o EPSUS, indicando que níveis mais altos de suporte social percebido não necessariamente se correlacionam com menores índices de depressão (Baptista & Cremasco, 2013).
Outro estudo de Baptista, Filho, Grandene (2018) evidencia a análise via TRI (Teoria de Resposta ao Item) a qual mostrou que a EBADEP-IJ possui boas propriedades psicométricas, indicando que os itens mensuram a depressão de maneira efetiva. A TRI demonstrou também que certos itens da escala EBADEP-IJ possuem uma maior capacidade de diferenciar os diversos graus de depressão.
Ademais, a escala se destaca pela sua estrutura que separa os itens em positivos e negativos, possibilitando a análise dos sintomas depressivos também através de elementos positivos, como "tenho planos para o futuro e gosto de mim como sou". Essa abordagem reflete a visão de que a saúde mental deve ser entendida considerando tanto seus aspectos positivos quanto negativos (Baptista, Filho, Grandene, 2018).

2.5 Evidências de validade da Escala Baptista de Depressão (EBADEP) no público adulto
A Escala Baptista de Depressão – Adulto pode ser aplicada em pessoas de 17 a 81 anos, porém sua amostra de normatização foi feita com participantes com idades entre 34 e 44 anos, devido margem de idade, surgiu a pergunta “de fato a escala EBADEP funciona para idades além dessas?”. Tal escala foi criada utilizando um sistema de frases de extremos opostos relacionados ao emocional com pontos de 0 a 4, podendo gerar de 0 a 300 pontos no geral, de acordo com sua pontuação é avaliado a escala de depressão.
Antes de seu uso ser liberado também foram realizados testes pelo SATEPSI (Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos) onde avaliam se o teste está apto, dentro da ética e da ciência. Segundo Baptista, Cardoso e Gomes (2012), a Escala Baptista de Depressão (Versão Adulto), quando utilizados os critérios internacionais, possuem um ótimo índice de eficácia e para verificarem esses dados, a escala foi comparada com a escala EBADEP-A. Após aplicar as escalas, obtiveram como resultados valores semelhantes, o que indica que ambas as escalas possuem veracidade e competência para serem aplicadas em adultos.
Em um segundo teste realizado por Souza, Baptista e Alves (2015) de forma preliminar, foi obtido o valor de ROC sendo satisfatório. “A área encontrada debaixo da curva é igual a 0,984, o que é considerado bastante satisfatório uma vez que se aproxima de 1, e que a curva está bem acima do corte de referência para os índices de sensibilidade e especificidade.” (SOUZA et al., 2015, p. 364). Com isso observa-se que o teste é de fato eficaz para adultos entre 17 e 81 anos, não podendo ser utilizado, de forma concreta, em pessoas que não estejam dentro dessa margem de idade.

2.6 Evidências de validade da Escala Baptista de Depressão (EBADEP) em idosos
A Escala Baptista de Depressão para Idosos (EBADEP-I) foi desenvolvida para avaliar de maneira sensível e precisa os sintomas de depressão nessa população, reconhecendo as particularidades do envelhecimento. Embora a normatização da escala tenha sido predominantemente realizada com adultos, a eficácia da escala EBADEP-I foi respaldada por estudos que mostram sua aplicabilidade em idosos a partir de 60 anos.
A escala EBADEP-I se destaca por sua abordagem que utiliza frases de extremos opostos, permitindo a avaliação de sentimentos e estados emocionais, com uma pontuação que varia de 0 a 300. Essa metodologia foi validada em testes rigorosos, como os realizados pelo SATEPSI, que garantiram a ética e a ciência na aplicação da escala. Estudos comparativos, como aqueles realizados por Baptista, Cardoso e Gomes (2012), demonstraram que a escala EBADEP-I é capaz de gerar resultados confiáveis que se alinham com outros instrumentos de avaliação, como a escala EBADEP-A. Isso significa que a escala EBADEP-I pode ser utilizada efetivamente para diagnosticar e monitorar a depressão em idosos, contribuindo para intervenções clínicas adequadas.
Além disso, a análise preliminar realizada por Souza, Baptista e Alves (2015) utilizando a curva ROC revelou que a escala EBADEP-I possui um alto nível de sensibilidade e especificidade, com uma área sob a curva de 0,984, o que indica que a escala é bastante eficaz para identificar a presença de depressão em idosos. Essa validação é crucial, pois sugere que, apesar da amostra de normatização, a escala pode ser utilizada com confiança em populações mais velhas.

Conclusões

Em análise, evidencia-se que a escala EBADEP possui um alto índice de validade para as diferentes faixas etárias, incluindo crianças, adolescentes, adultos e idosos, configurando-se como uma ferramenta robusta para a avaliação de sintomas depressivos, e contribuição no diagnóstico da doença.
Quando se fala em crianças e adolescentes, ela se mostra eficaz em qualidades psicométricas e na diferenciação dos diversos graus de depressão, destacando-se, também, pela sua estrutura que separa os itens em positivos e negativos. Para o público adulto, com seus estudos feitos com pessoas entre 34 e 44 anos, ela também se mostra bastante eficaz, apontando resultados que confirmam sua veracidade e competência. E quando se fala no público de idosos, apesar da normatização da escala ter sido predominantemente realizada com adultos, existe uma evidência de validade que respalda sua aplicabilidade em idosos, demonstrando que a escala EBADEP-I é capaz de gerar resultados confiáveis, assim como a escala EBADEP-A.
Sendo assim, os objetivos deste trabalho foram plenamente alcançados, demonstrando sucesso na avaliação do nível de confiabilidade da Escala Baptista de Depressão (EBADEP), evidenciando sua aplicabilidade em pessoas de todas as faixas etárias, além de identificar os diferentes níveis de depressão. Essa análise não apenas reforça a utilidade clínica e científica da escala, como também aponta sua relevância para futuras pesquisas e intervenções voltadas à saúde mental, contribuindo para diagnósticos mais precisos e melhorias na qualidade de vida dos pacientes.